domingo, 26 de abril de 2020

Padroeiros de A a Z


Fonte: “Dicionário de Santos”, de Jorge Campos Tavares, Lello Editores, Porto, 1990.

Este dicionário, não só contém uma breve biografia dos Santos, mas também esclarece a indumentária e os seus atributos. Apresenta o conceito e identifica os Anjos, os Apóstolos, os Doutores da Igreja, os Reis Magos.

Seguidamente, apresentam-se os padroeiros ou protetores de artes e ofícios:
Santo
Padroeiro de OU Protetor de OU evocado em…
Adalardo
Jardineiros
Adalgerga
Raparigas casadoiras
Adriano ou Adrião
Militares, carcereiros, algozes, ferreiros, mensageiros e carteiros
Agrícola ou Avinhão
Cegonhas e dos seus ninhos
Aldonsa (v. Alda)
Músicos
Amália, Amélia, Amalberga ou Amalbergue
Homens do mar. E evocada nos casos de luxações dos membros e de iminentes prejuízos nas colheitas
Anastácio de Salona
Tintureiros e tecelões
Andronico de Alexandria
Artífices
Angélico
Todos os artistas, especialmente dos pintores
Antão
Doenças contagiosas e de curas milagrosas
António
Louceiros
Apeles de Génova
Ferreiros
Are de Nevers
Marinheiros do Loire
Arnaldo de Soissons
Cervejeiros
Aquitriclínio
Hoteleiros e chefes de mesa
Bárbara
Artilheiros, fogueteiros e fabricantes de fogo-de-artifício; dos mineiros que lidam com explosivos; dos pedreiros e arquitectos; dos sineiros, tecelões chapeiros. Evocada contra a trovoada.
Basilissa
Hoteleiros e viajantes
Bernardino de Feltre
Prestamistas
Bernardo de Bernward
Fundidores e operários alemães
Bernardo de Aosta
Viajantes e alpinistas
Bernardo de Tiron
Torneiros
Blandina
Servas e criadas, juntamente com Sta Marta e Sta Zita
Bomhomem de Cremona
Alfaiates
Brás de Sebaste
Protetor contra doenças da garganta por excelência; trompetistas
Catarina de Bolonha
Pintores em geral
Cassiano
Maestros; professores
Cirilo de Alexandria
Evocado contra os raios
Clara de Assis
Cegos
Cornélio, Papa
Animais com coroas
Cosme e Damião
Médicos, cirurgiões, farmacêuticos, barbeiros, herbanários e hospitais
Crescente de Sena
Advogado contra a cegueira
Crispim e Crispiniano
Todos os ofícios em que o couro é trabalhado (sapateiros, curtidores de peles, luveiros, fabricantes de selas)
Cristóvão
Automobilistas; aviadores. Evocado contra os acidentes mortais
Damião e Cosme
Médicos cirurgiões, farmacêuticos e veterinários
Dimas (bom ladrão)
Moribundos, condenados à morte, pecadores arrependidos, ladrões, antiquários e ferros-velhos, restauradores de quadros
Donato
Protetor contra raios e tempestades
Drogon ou Druns
Pastores
Dustano ou Dustan
Ourives e dos fundidores ingleses
Elói
Mecânicos
Epifânio de Pavia
Prisioneiros de guerra
Erasmos, Elmo ou Telmo
Marinheiros e evocado nas tempestades marítimas
Estela
Jovens que desejam casar-se
Estêvão
Cavalos, cocheiros, palafreneiros, fundibulários.
Eustáquio
Caçadores
Expedito
Estudantes e a quem ajuda a executar os seus trabalhos, dos candidatos a exames e dos alunos cábulas
Fabião, Papa
Louceiros de cerâmica e estanho
Félix de Nola
Doenças de olhos
Firmino
Tanoeiros e padeiros
Fortunato
Cozinheiros-pasteleiros e gastrónomos
Francisco de Borja
De Portugal contra os terramotos
Francisco de Sales
Imprensa católica
Galderico
Chuva
Gelásio
Comediantes, palhaços, menestréis, malabaristas e mestres de dança
Gengoulph
Maridos enganados
Genova
Cidade de Paris, que terá protegido da fome e dos invasores hunos de Átlia
Gens
Agricultores, evocado contra a seca
Germana
Pastoras
Gertrudes de Nivelle
Hospitais, viajantes e peregrinos
Géry ou Gaugérico
Protetor dos presos e dos escravos
Godo, Gond ou Gand
Luveiros
Gonçalo de Amarante
Promotor de casamento de mulheres já longe da juventude
Guidon ou Guido
Lavradores, sineiros, sacristãos. É protetor de gados.
Honorato
Padeiros e pasteleiros em França
Isabel, de Jerusalém
Serradores de madeira
Isidro, o lavrador
Lavadores e fazendeiros
Ivo de Tréguier
Professores de Direito, juízes, notários, advogados, funcionários judiciais, ou seja, de todos os que trabalham em tribunais
Januário
Ourives
Jerónimo Emiliano
Órfãos
João Evangelista
Impressores, livreiros, encadernadores, negociantes e fabricantes de papel, copistas de manuscritos e gravadores; dos que lidam com fogo e óleo nos seus ofícios (armeiros, fabricantes de velas e proprietários de lagares de azeite)
João Baptista
Alfaiates, peleiros e correeiros; presos e condenados à morte; músicos
João Bosco
Operários aprendizes; considerado o apóstolo da juventude
João da Cruz
Poetas da língua espanhola
João de Deus
Hospitais, enfermeiros e doentes
João Nepomuceno
Barqueiros e confessores
Jorge
Marinha portuguesa
José
Carpinteiros; operários em geral; desalojados que perderam o lar
José de Arimateia
Coveiros, embalsamadores, armadores e gatos-pingados
José de Cupertino
Astronautas
Lamberto ou Lambert
Paralíticos
Leão I (Leão Magno), Papa
Músicos e chantres. Protetor da música sacra
Leonardo de Noblac
Prisioneiros, doidos furiosos; ferreiros e serralheiros; mulheres em labor de parto; cavalos
Lézens d’Angers
Mineiros de ardósia
Libório de Mans
Protetor contra cólicas de fígado, bexiga e vesícula
Lídia
Tintureiros
Lobo de Sens
Pastores
Lourenço
Cozinheiros; bibliotecários e arquivistas
Lúcio de Coire
Vaqueiros e queijeiros
Luís, rei de França
Barbeiros, cabeleireiros e fabricantes de perucas; pedreiros, carpinteiros, costureiros, fabricantes de paramentos; pescadores à linha
Madalena
Pecadoras; perfumistas e jardineiros
Marcelo I, Papa
Palafreneiros. Protetor de cavalos
Marta
Donas de casa
Maturino
Artífices que trabalham o estanho
Maurílio
Jardineiros e pescadores
Mauro
Lavadeiras e branqueadoras
Morando
Vinhateiros
Narciso de Gerona
Evocado para proteção de todo o género de moscas, moscardos e mosquitos
Noitburga
Moças de lavoura
Odão de Cluny
Músicos
Olaguer ou Olegário
Caçadores pouco afortunados
Olívia
Potetora das colheitas de azeitona
Omar ou Audomaro
Protetor contra doenças de olhos
Oportuna de Sées
Chapeleiros; artífices que trabalhavam o estanho e bordadeiras
Paterno
Evocado contra as mordeduras de serpente
Quitéria
Evocada contra a mordedura de cães raivosos
Reinaldo
Pedreiros e canteiros
Rita ou Margarida de Cássia
Evocada nos casos desesperados ou de solução impossível
Romão ou Romano de Ruão
Condenados à morte. Evocado contra o alcoolismo, a loucura e o envenenamento
Romão de Blaye
Marinheiros da Gironda e dos peregrinos para Santiago de Compostela
Sennoch
Construtores de pontes
Tais de Alexandria
Raparigas de vida livre
Telmo
Marinheiros
Teodulo de Sion
Vinhateiros
Ubaldo
Pugilistas e «boxeurs»
Ulrico
Evocado contra a praga dos ratos, toupeiras e ratazanas
Umbelina
Costureiras e bordadeiras.
Urbano, Papa
Vinhateiros. Evocado para curar os terçóis, a gota e o alcoolismo
Urso de Loches
Moleiros
Valburga
Protetora das colheitas
Valentim
Namorados; epiléticos
Veranio
Evocado contra a peste e para exorcizar os possessos
Verana
Parteiras; raparigas de vida fácil; moleiros
Wiligis
Carreeiros e carroceiros

Arte e ofício
Santo/s
Estudantes 1.º ciclo
S. Carlos Magno; Sto. Expedito, S. João Baptista; S. João Bosco; S. Nicolau; Sta. Ângela; Sta. Catarina de Alexandria
Estudantes do ensino secundário
S. Jerónimo; S. Luís Gonzaga; Sta. Catarina de Alexandria; Sta. Úrsula; S. Gregório Magno; S. Tomás de Aquino
Professores primários
S. Cirilo e S. Metódio; S. Cassiano; Sta. Catarina de Alexandria

Entre outros Santos, há a destacar, pela sua História, os seguintes:
Sto. Agostinho (do Norte de África); Sto. António (de Lisboa ou Pádua); Sto. Ambrósio (Gália); Sta. Bárbara (Nicomedia); S. Brás (Arménia); S. Dimas (egípcio); Sto. Inácio de Loiola (Espanha); Sta. Isabel, de Jerusalém e de Portugal; João Evangelista (Betsaida, Mar da Galileia, situada a alguns quilómetros de Cafarnaum); João Baptista (Judeia, Israel); Jorge (Capadócia); José (de Nazaré); Sta. Margarida (Antioquia); S. Meinrad (de Einsiedeln, Suíça); S. Nuno Álvares Pereira (Crato, Portugal); Sta. Odília (Alsácia, França); S. Paulo (de Tarso, Palestina); S. Pedro, apóstolo (da Galileia, Cafarnaum); S. Pedro (de Rates, 1.º Bispo de Braga); Sta. Rita ou Margarida de Cássia (Úmbria, Itália); S. Roque (Montpellier); S. Sebastião (Gália); S. Tiago, o Maior (Cafarnaum); S. Tomás (de Aquino); Sta. Úrsula (de Colónia).

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Legislativas 2019: o que fazer?

Momento sério de reflexão: analisado o contexto do atual sistema eleitoral, a reflexão a fazer deve ser ainda mais cuidada, de modo a combater o desperdício. 

De acordo com as mais diversas sondagens e atendendo à sua fiabilidade, há, pelo menos, na minha perspetiva, duas conclusões a tirar: i) não votar favorece o provável vencedor e os partidos que o apoiam; ii) votar em partidos que, por princípio, não elegem deputados é desperdiçar o voto. 

De qualquer modo, consideradas todas as variáveis, o que prevalece é que não nos devemos demitir de um processo eleitoral, pois se não escolhermos, estamos a permitir que outros o façam por nós. Também por isso não votarei em branco, nem nulo, porque, nesse caso, estaria a permitir que outros escolhessem por mim. Mas, afinal, na prática, o que adianta a abstenção, o voto em branco ou o voto nulo? Nada. Os 230 deputados serão eleitos na mesma! 

Urge, assim, tomar uma posição social e política através do voto.
Considero deveras importante votar, escolhendo de acordo com a nossa consciência, entre aqueles que se disponibilizaram para o efeito.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

“Mais que vergonha. Inadmissível! Revoltante!”


13 situações que são “Mais que vergonha. Inadmissível! Revoltante!”, desde 7 de agosto: 

1. Relações familiares no Governo. Viagem pelos elos de uma grande teia (Observador, consultado em 30 de setembro de 2019); 

2. Tancos: do assalto ao paiol à acusação ao ministro (JN, 26 de setembro de 2019); 

3. Governo deixa cair exigência à EDP de devolver 73 milhões a consumidores (Observador, 24 de setembro de 2019) quando os Portugueses pagam a eletricidade mais cara da União Europeia; 

4. Contratações e salários agravam prejuízo da TAP apesar de recorde de passageiros (Dinheiro vivo, 22 de setembro de 2019); 

5. Passes com desconto para estudantes suspensos a partir de setembro por falta de pagamento do Governo (sol.sapo, 26 de agosto de 2019); 

6. Ambulâncias do INEM. Bastonário diz que a situação é “uma vergonha nacional” (Expresso.pt, 24 de agosto de 2019); 

7. António Costa admite não seguir parecer da PGR sobre negócios de familiares com Estado (Observador, 24 de agosto de 2019); 

8. Ano letivo vai começar sem os mais de mil funcionários prometidos às escolas (Observador, 21 de agosto de 2019); 

9. Empresa de Graça Fonseca contratada pela CML e SCML (eco.sapo.pt, 21 de agosto de 2019); 

10. Sindicato dos motoristas de matérias perigosas anuncia amanhã novas formas de luta (sicnoticias.pt, 21 de agosto de 2019); 

11. Há mais enfermeiros a pedir para emigrar este ano (Observador, 9 de agosto de 2019); 

12. Juízes conselheiros vão ter aumentos salariais de 700 euros. Marcelo promulgou diploma (Observador, 8 de agosto de 2019); 

13. Bebé morre após mãe fazer viagem até Lisboa por falta de incubadoras em Faro (sol.sapo, 7 de agosto de 2019).

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Os confiáveis


Actualmente, muitos são os que estão a contabilizar quem são os que mais falham e lançam vários nomes para a discussão, no entanto, quando o fazem, esquecem-se dos que são do seu quadrante político. Acontece que, infelizmente, são vários os políticos comprometidos com os valores da seriedade, honradez e ética políticas.
Até este momento, desde o 25 de Abril de 1974, foram presos apenas três: José Sócrates (ex primeiro-ministro), Armando Vara (ex ministro e homem poderoso da banca), Isaltino Morais (ex ministro e actual presidente da Câmara de Oeiras). Por referir este sector, não se pode deixar passar em claro aquele que também, eventualmente, irá parar à cela 44 ou outra qualquer, Ricardo Espírito Santo, pelos danos causados ao país e aos lesados do BES.
Todavia muitos outros são hoje falados, como Manuel Pinho (PS), e mais recentemente o caso Robles (BE) e o caso “genro de Jerónimo de Sousa” na Câmara liderada por Bernardino Soares (CDU). Além disto, há ainda a referir que os arguidos no “caso dos submarinos” foram absolvidos.
Entretanto, entre os políticos portugueses acusados e/ou condenados por crimes, há-os em vários quadrantes: Arlindo de Carvalho, Duarte Lima, Macário Correia, José Oliveira e Costa e Valentim Loureiro (PSD), Fátima Felgueiras, Mesquita Machado, Narciso Miranda e Nuno Cardoso (PS), Avelino Ferreira Torres (CDS).
De facto, todos ficam mal na fotografia e não há inocentes, contudo é sempre perigoso generalizar. Por um lado, nos dias de hoje, somos levados a crer que há incompatibilidades na coexistência de homens de grande estirpe social e moral, entre muitos dos que nos governam. Por outro, importa denunciar o que não corresponde a normas da coerência, honestidade, seriedade e carácter políticos e importa acreditar poder viver onde todos decidem como se fossem um todo no interesse de todo.
Assim, sabendo que não há inocentes e que até provas em contrário são todos pessoas de bem, não há necessidade de criticar apenas os que não são do nosso quadrante político. Infelizmente há-os por todo o lado! Mesmo que seja com um dos nossos devemos assumir a situação e reprová-la.

Notas:
1. Texto escrito sem A.O.
2. Hiperligações:
2.1. Políticos portugueses acusados por corrupção (https://www.youtube.com/watch?v=QOANOh1Y3Jg)
2.2. Políticos portugueses condenados por crimes
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Pol%C3%ADticos_de_Portugal_condenados_por_crimes)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

“Palavra dada, palavra honrada!”

Numa altura em que muito se discute a democracia, é curial a existência de políticos que cumpram com a sua palavra. Todavia, neste momento, na vigência da governação de António Costa (PS) e C.ª (CDU e BE) são vários os exemplos em que a “palavra dada” não correspondeu à “palavra honrada”. 

O que mais ressalta à vista de todos é o que se passa com os preços dos combustíveis que atingiram máximos históricos. Já agora convém recordar que foi prometido pelo atual chefe do governo que baixaria o imposto, caso o petróleo aumentasse, mas "palavra dada, palavra honrada"! Já agora convém perguntar onde estão os contestatários do PS, CDU e do BE, que tanto falavam num passado recente, designadamente quando estavam na oposição. 

Ainda no âmbito dos combustíveis é preocupante para a confiança dos Portugueses tentar entender como é que o governo anuncia baixar o imposto da gasolina para o início de 2019 e logo no primeiro mês deste mesmo ano aplica o aumento da taxa de carbono quatro dias depois de baixar o outro imposto, sendo que o contribuinte volta a pagar mais quando vai abastecer. Pensarão os membros do governo que o povo não tem memória e não sabe fazer contas de somar ou, neste caso, de subtrair no que à sua conta diz respeito? 

Como segundo exemplo, não menos grave quanto à falha da palavra honrada, apresenta-se o caso de Tancos, em que o grave roubo das armas continua sem responsáveis, após nos ter sido garantido que seriam dadas todas as explicações. Alegadamente, o primeiro ministro não foi informado! 

Outra situação a realçar é o caso do desabamento da estrada em Borba (novembro de 2018), consequente do deslizamento de terras numa pedreira, em que o governo de António Costa afirmou não ter conhecimento dos riscos, tendo a Direção Regional da Economia do Alentejo garantido que já havia alertado para esta possível ocorrência em junho de 2014. Alegadamente, o primeiro ministro não sabia! 

Isto para não falar do infeliz e terrível caso de Pedrógão que deixa qualquer português triste e incomodado, em que o primeiro ministro manteve as férias e muito apoio prometeu, contudo assiste-se a um alegado descontrolo da gestão dos apoios públicos dos portugueses. 

Mas, infelizmente, não ficamos por aqui. Recorda-se também o momento em que, recentemente, António Costa confessou ficar muito chocado com a transmissão de touradas, contudo não assume a sua proibição e diz preferir que sejam as câmaras municipais a fazê-lo, tendo, há oito anos, a rir-se, condecorado um forcado. Enfim, além da fraqueza da palavra dada, há uma notória falta de carácter e é este mais um exemplo de ausência de "palavra dada, palavra honrada"! 

“Vou repetir uma 5.ª vez: A decisão do governo é que o Infarmed vá para o Porto. Tá claro agora?”, garantiu em 23 de setembro de 2018, o primeiro-ministro, denotando uma completa falta de respeito pela autoridade nacional do medicamento e produtos de saúde (Infarmed), que funcionou como compensação do esquecimento da cidade do Porto, aquando do concurso para a Agência Europeia do Medicamento. Neste contexto, este quinto exemplo é mais uma constatação de mais uma palavra dada que não foi pelo próprio honrada. 

Há ainda o conflito com os taxistas, tendo o primeiro ministro remetido a solução, mais uma vez, para as autarquias, pois, estas iriam ter mais poder para regulamentar outras plataformas como por exemplo a Uber. Enfim, além da fraqueza da palavra dada, há uma notória falta de carácter e é este mais um exemplo de ausência de "palavra dada, palavra honrada"! 

O mesmo se passou com o anúncio de equiparação a mestrado dos cursos pré Bolonha, ou seja, o governo garantiu numa determinada fase e depois recuou, voltando assim a falhar na palavra dada, que afinal voltou a ser desonrada! 

Por fim, há ainda a situação dos professores, em que foi prometida a recuperação total do tempo de serviço perdido e, mais tarde, até hoje, esse direito ainda não está consagrado, porque, mais uma vez, falhou a “palavra dada, palavra honrada”. Neste caso, é pertinente lembrar que o BE e a CDU acham injusto não contar o tempo de serviço dos professores e disseram exigir a reposição do tempo de serviço, no entanto, ambos aprovaram os dois últimos Orçamentos de Estado, sem isso estar efetivamente garantido. Ambos os partidos se dizem indignados com a volumosa quantia para o Novo Banco BES, no entanto, ambos efetivamente nada disto travaram no atual Orçamento de Estado. 

Nestes termos, tendo sempre em mente a "palavra dada, palavra honrada", é preocupante a fraqueza da palavra dada e confirma-se o ditado "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és", por isso não admira que se assista todos os dias a greves e contestações nos mais diversos setores da sociedade portuguesa.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Santana Lopes: abandono do PSD!

Dado tratar-se de um histórico do PSD, com carácter próprio e convicto das suas posições, creio ser pertinente uma palavra acerca da sua saída. 

Compreendo a posição de Santana Lopes ao abandonar o PSD, uma vez que o partido muitas vezes não aceitou as suas propostas e muitas vezes o subestimou. Tendo ingressado no partido em 1976, dois anos após a sua fundação, foi um destacável militante, com voz ativa e por vezes incómoda, mas sempre frontal e leal para com os demais. Ofereceu inúmeras vezes “o corpo às balas”, não virando “a cara à luta”, tendo ganho umas vezes e perdido outras, pelo que acredito que, tal como o próprio referiu, foi um “abandono doloroso”, o do PSD. 

De facto, 42 anos são muito tempo, e ninguém tem dúvidas que Santana Lopes foi sempre do PSD e sempre defendeu o partido e as suas causas, apesar de também ser reconhecido por “enfant terrible” do partido. Deve ter sido uma decisão custosa, acredito, porém, simultaneamente, consigo compreendê-la, pois ninguém merece martirizar-se não se sentindo bem consigo próprio, embora respeitando as suas origens, as suas opções e a sua “família”. É tudo uma questão de princípios, de valores e de convicções. 

Após tamanha decisão, não há volta a dar! Cada um terá que seguir o seu caminho e todos terão que assumir as suas responsabilidades, sendo certo que nada será como dantes. É assim neste caso, foi assim no Brexit. Por falta de entendimento, de diálogo ou mesmo de aceitação mútua, tudo claudicou. 

Ainda no que diz respeito a Santana Lopes, enquanto militante do PSD e no exercício de funções públicas, convém salientar que não esteve envolvido, no que é publicamente conhecido, em qualquer situação de fraude ou de corrupção, nem tão pouco recebia, em 2016, “entre os 332 políticos que estão na lista daqueles que têm direito a subvenções mensais vitalícias”, de acordo com o “Observador”, a subvenção vitalícia a que tinha direito, tal como António Bagão Félix, do CDS-PP, Manuela Ferreira Leite, do PSD, ou António Vitorino, do PS. 

De qualquer modo, não é nem será o fim do mundo. Tal como numa grande parte de países europeus, é normal a existência de vários partidos políticos e com representatividade nos respetivos parlamentos, sendo que aquando dos atos eleitorais, muitas vezes, veem-se forçados a chegar a entendimentos para governar em coligação. 

Há ainda a referir que noutros tempos havia um só partido (com real poder), num outro momento proliferavam partidos políticos na esquerda, fruto da “intelectualidade de esquerda” que sempre gostou de se fazer ouvir e de apresentar determinadas posições, contrariamente a uma direita mais conservadora e silenciosa. Hoje vive-se um tempo novo, em que cada vez menos se “toca de ouvido” e se faz o que os outros querem ou mandam. Felizmente, embora ainda não tanto como desejável, pois ainda há muito medo, cada vez mais há pessoas a pensar pela sua própria cabeça e felizmente, no quadrante político da direita, também já há comentadores, líderes de opinião e como se vê, novos partidos. 

Face às atuais circunstâncias, reconhecendo que todos temos o direito de expressar livremente as nossas opiniões e que todos devemos respeitá-las, não me parece bem que quem exerce funções num determinado partido continue a exercê-las após ter garantido, em relação ao atual líder do PSD “Rui Rio vai ter oposição. Não vamos andar a fingir”, como referiu Carlos Abreu Amorim após o último congresso. Também, aquando do último congresso / diretas, na minha perspetiva, Luís Montenegro cometeu dois erros crassos: i) anunciar, em primeira mão, que iria deixar a Assembleia da República em abril, no congresso de fevereiro, o que denotou, no meu entendimento, falta de lealdade; ii) anunciar que iria ser candidato daqui a dois anos, quando se havia de viver um momento próprio para esse efeito, o que denotou, no meu entendimento, falta de coragem. 

Prefiro a honestidade de Pedro Duarte, volvidos seis meses do mandato da atual Comissão Política liderada por Rui Rio, ao manifestar-se disponível para disputar a liderança e assumir outra estratégia, sendo certo que, na minha opinião, esta tomada de posição foi um pouco extemporânea. 

Por uma questão de lealdade e respeitando a vontade da maioria, caso não concordemos com um determinado rumo, é nosso dever denunciar, mas, caso não nos revejamos na conduta, devemo-nos afastar por momentos, ou assumir a rutura, ou até sair. Na minha forma de estar, isto é preferível a pertencer a uma estrutura e estar a remar contra a maré. 

Por fim, uma última nota, nesta reflexão: 

Tolerância, diversidade, lealdade são valores a ter em conta. Importa, assim, num sistema democrático, aceitar o pluralismo político e um partido que não aceite as divergências de opinião dificilmente alcançará sucesso. Urge, por isso, saber respeitar a diversidade, visto que diferentes ideias em confronto, se bem geridas, resultarão, por princípio, num melhor fim e esta atitude é eventualmente melhor a ter várias pessoas a pensarem da mesma maneira. 

De qualquer modo, o que é certo é que cada um deveria enveredar pelo caminho da honestidade, lealdade, coerência, seriedade e carácter íntegro, todavia, para além de tudo isto, há ainda a manifestar a indignação face ao estado da política e de alguns políticos em Portugal, uma vez que o povo está cansado de os ouvir mentir! 

Da minha parte, quero manifestar o meu único compromisso com o PSD, a quem aderi de livre vontade. Nada mais.