domingo, 8 de janeiro de 2012

Intervenção destinada aos Militantes do PSD do distrito de Viana do Castelo

Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Distrital
Senhor Presidente da Comissão Política Distrital

Assunto: “Intervenção destinada aos Militantes do PSD do distrito de Viana do Castelo”
– Reunião da Assembleia Distrital no dia 7 de janeiro de 2012.

Começo por felicitar o Sr. Presidente da Distrital por ter sido considerado a personalidade do ano 2011, segundo o jornal “Alto Minho”, muito conceituado na imprensa local.
Aproveito a oportunidade para agradecer a colaboração de todos no projeto do qual fui co-fundador, o IFCMP (Instituto de Formação Carlos Mota Pinto), e faço votos de muito êxito para o companheiro Pedro Cruz e restantes membros da equipa. Uma palavra especial para a Dra. Helena Marques e para o Dr. Eduardo Teixeira, pois agradeceram-me todo o empenho efetuado, um sinal de gratidão e reconhecimento que fica bem, é de bom-tom e é próprio de pessoas educadas.

Contudo, considero que nem tudo vai bem no reino da política distrital…
Trata-se da retirada de confiança política em Ponte de Lima e em Monção aos únicos vereadores eleitos pelo PSD nos respetivos concelhos. Ambos deram a cara pelo PSD, partido liderado na distrital por V Exa, dr. Eduardo Teixeira. O caso reporta para dois vereadores incómodos e sem medo, pois disponibilizaram-se quando mais ninguém o quis fazer no seu concelho e fizeram-no com o apoio do partido a nível distrital e nacional. Foram eleitos com base num programa eleitoral e estão a cumprir o que prometeram, o que é raro na política atual.
A situação é ainda mais insólita, se tivermos em conta que o dr. Filipe Viana apoiou as candidaturas do Sr. Presidente da Distrital nos três atos eleitorais a que se sujeitou, tendo tornado público o seu apoio no último ato eleitoral para a distrital.
Em Ponte de Lima, o vereador é incómodo, não só para o partido do poder em Ponte de Lima desde 1974, o PP, porque não estava habituado a ter oposição, mas também para o seu próprio partido, porque não estava habituado a fazer oposição. Trata-se de um vereador sem medo, pois é o primeiro a fazer real oposição ao CDS PP desde o 25 de Abril, trabalha e dedica-se à causa, contacta a população, sem abandonar as pessoas que integraram o projeto das últimas autárquicas candidatando-se pelo PSD, participa em muitas assembleias de freguesia, organiza conferências e colóquios, divulga a sua ação como vereador, justifica as suas votações e apela à democracia participativa. Esta é a realidade!
Mas alguém pode achar bem retirar-se a confiança política a um vereador que trabalha? Como é que é possível o PSD ter dois vereadores eleitos (únicos nos respetivos concelhos!) com o apoio inequívoco da distrital e agora andarem “às turras”? Como se pode compreender que a distrital tenha manifestado a sua solidariedade à Comissão Política de secção de Ponte de Lima? Com que argumentação? Quem fica mal? O PSD, ou a distrital, ou os vereadores? A resposta é fácil: quem fica mal é o PSD! Quem consegue compreender e aceitar estas situações? Eu não!
Deixemo-nos de fantochadas! Parece-me a mim que se está a cair num profundo ridículo. Considero este tipo de atitudes vergonhosas e reveladoras de um espírito mesquinho, que me transtorna.
O que fez, entretanto, o sr. Presidente da distrital? Manifestou a sua solidariedade às comissões políticas de secção. Manifestamente pouco!
Questionado sobre a situação, comunicou-me o sr. Presidente da distrital que a decisão era local, ou seja, era da comissão política de secção. Até aqui, estamos todos de acordo, mas, então, qual é o papel da distrital? Ao não marcar uma posição clara e inequívoca, a distrital está a dizer que concorda, porque “quem cala consente”. Ao dizer que concorda, está claramente a trair a confiança que depositou nos dois vereadores eleitos pelo PSD! Quem elegeu os vereadores foram os votos dos eleitores, é certo, mas para serem candidatos pelo PSD tiveram a anuência da Comissão Política Distrital e não das atuais comissões políticas de secção. Sejamos claros, há má fé por parte das comissões políticas de secção em relação aos respetivos vereadores e a Comissão Política Distrital deixou que tal acontecesse, isto é, foi na onda.
Entendo que quando existe um conflito desta natureza, devem juntar-se as partes e quanto mais cedo se fizer, tanto melhor. Sugeri isto mesmo ao sr. Presidente da distrital há dois anos em Ponte de Lima. Em determinado tempo, eu próprio pedi ao dr. Filipe Viana que não organizasse mais jantares e o vereador cumpriu com a sua palavra. Acontece, porém, que, esse mandato, para o qual havia o compromisso, acabou porque a comissão política de secção decidiu antecipar o ato eleitoral que seria apenas no próximo mês de Maio, não permitindo, desta feita, que novos militantes, entretanto inscritos, pudessem votar.
Vivem-se em Ponte de Lima e em Monção tempos difíceis para o reino laranja e a Comissão Política Distrital tem que assumir as suas responsabilidades, pois permitiu que fossem de rutura em rutura até à rutura final! Estas retiradas da confiança política, lamento muito, são atitudes premeditadas, tenho que concluir.

Um partido que não aceita divergências de opinião, num sistema dito democrático, dificilmente alcançará sucesso. Porém, há que realçar que a democracia só existe verdadeiramente se existir pluralismo político e a pluralidade está na aceitação da divergência de opiniões. Na minha opinião, a diversidade traz, muitas vezes, novas ideias e novas dinâmicas à nossa comunidade. Urge saber respeitar a diversidade. Diferentes ideias em confronto, se bem geridas, resultam num melhor fim do que várias pessoas a pensarem da mesma maneira. Nestes dois casos, de Monção e de Ponte de Lima, poderemos mesmo afirmar que um partido dividido mais facilmente será vencido, o que é de lamentar.
Para além de tudo isto, quero manifestar ainda a minha indignação face ao estado da política e dos políticos em Portugal! O povo está cansado de os ouvir mentir!
Concordo plenamente com Pedro Passo Coelho quando diz que "As medidas são minhas, mas o défice que as obriga não é meu", contudo é fundamental que o Governo explique, claramente, quais as razões que levaram a tomar as medidas duríssimas que está a implementar e que, também de forma equitativa e proporcional, distribua os sacrifícios por todos os portugueses.
Nós, portugueses, merecemos um esclarecimento pleno da situação. Apelo para que se revele de uma vez por todas o buraco do BPN, da Madeira, das parcerias público-privadas e da má gestão socialista dos últimos anos. Apelo para que se use de total transparência na gestão pública.
Pedro Passos Coelho parecia ser diferente (consta que foi o único deputado da nação a abdicar de uma subvenção a que tinha direito!), mas, para o ser realmente, teria que pedir a demissão e dizer aos Portugueses que não podia cumprir o que prometeu. Apresentava um novo programa e ia novamente a votos. Isso, sim, marcaria toda a diferença!
Não se consegue reformar Portugal contra as pessoas! Não se pode contar com os Portugueses, prometendo uma coisa e fazendo outra! Preocupa-me muito a fraqueza da palavra dada.
Há, entretanto, algo de positivo que eu gostaria de realçar na ação governativa, a coragem do governo em implementar novas reformas, nomeadamente a Reforma da Administração Local, os novos preços dos medicamentos, sendo mais baratos, a casa pré-fabricada MIMA, com escritório em Viana do Castelo, e a atuação dos três deputados do PSD eleitos pelo círculo de Viana do Castelo, incluindo naturalmente o dr. Eduardo Teixeira, que prima pela presença constante no distrito, não esquecendo quem o elegeu.
Quanto a mim, sou militante de um partido político por opção de cidadania, mas considero-me um homem livre nas minhas convicções.
Quanto a mim, cheguei, definitivamente, a duas conclusões: Não sou político e Não consigo jogar em dois tabuleiros simultaneamente.
Ninguém deve estar na política para se incomodar. Terá que ser por espírito de serviço, devoção e gosto. Só, assim, fará algum sentido.
Bem hajam.
José Nuno Torres Magalhães Vieira de Araújo (militante nº11625)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vereador incómodo

Nas últimas eleições autárquicas o PSD elegeu o vereador Filipe Viana na Câmara Municipal de Ponte de Lima e a Comissão Política de Secção do PSD de Ponte de Lima (adiante designada por CPS) retirou-lhe a confiança política no passado mês de Novembro.
As Comissões Políticas de Secção do PSD, em Ponte de Lima, sempre defenderam o princípio de estabelecer uma relação de confiança entre a CPS e os membros eleitos pelo PSD, quer na Assembleia, quer na Câmara Municipal. Várias Comissões Políticas defenderam que o PSD, na Câmara Municipal, devia fazer realmente oposição, não andado de “braço dado” com o executivo CDS/PP.
Todavia, levantam-se algumas questões: Como é possível compreender a retirada de confiança política a um vereador que trabalha? Como é possível, tendo-se defendido que se fizesse oposição, criticar o vereador e a sua acção, agora, que a oposição é feita? Como é que é possível defender-se durante anos a renovação e o corte com um passado que não conduziu a qualquer êxito autárquico e, agora (que se iniciou, nas últimas eleições autárquicas, um processo de renovação verdadeiro, autêntico e com identidade), seguir exactamente o caminho contrário do que sempre foi defendido?
Face ao exposto, a CPS criou um verdadeiro facto político para o PSD em Ponte de Lima e nada será como dantes. Há novos factos a ter em conta, há novos militantes, há uma nova geração e um grande partido não pode fechar-se sobre si próprio, terá que aceitar divergências, pontos de vista e perceber a diferença, caso contrário está condenado ao fracasso.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Vereador sem medo em Ponte de Lima

O vereador Filipe Viana, único eleito pelo PSD, na Câmara Municipal de Ponte de Lima, revelou recentemente que considerará a sua “recandidatura à Câmara Municipal obrigatória” e posteriormente a Comissão Política de Secção do PSD local (adiante designada por CPS) retirou-lhe a confiança política.
De facto, estamos perante um caso insólito. Trata-se de um vereador incómodo, não só para o partido do poder em Ponte de Lima desde 1974, porque não estava habituado a ter oposição, mas também para o seu próprio partido, porque não estava habituado a fazer oposição. Esta é a realidadede um vereador sem medo que trabalha e dedica-se à causa, contacta a população, sem abandonar as pessoas que integraram o projeto das últimas autárquicas candidatando-se pelo PSD, participa em muitas assembleias de freguesia, organiza conferências e colóquios, divulga a sua ação como vereador e justifica as suas votações, apela à democracia participativa. Trata-se de um vereador sem medo, pois é o primeiro a fazer real oposição ao CDS PP desde o 25 de Abril.
Esta situação é deveras estranha, uma vez que na altura do ato eleitoral, o atual vereador, na altura presidente da comissão política de secção, foi o único militante do partido que se disponibilizou para ser candidato pelo PSD e fê-lo com o apoio do partido a nível distrital e nacional. Formou equipa, apresentou um projeto com ideias-chave pelas pessoas e pelo território, deu a cara quando mais ninguém o quis fazer, foi eleito e está a cumprir o que prometeu a todos os limianos.
A CPS criou um verdadeiro facto político para o PSD em Ponte de Lima e nada poderá ser como dantes. Há novos factos a ter em conta, há novos militantes, há uma nova geração. No passado, as Comissões Políticas de Secção do PSD, em Ponte de Lima, sempre defenderam o princípio de estabelecer uma relação de confiança entre a CPS e os membros eleitos pelo PSD, quer na Assembleia, quer na Câmara Municipal. Várias Comissões Políticas defenderam que o PSD, na Câmara Municipal, devia fazer realmente oposição, não andado de “braço dado” com o executivo CDS/PP.
Futuramente, como será?
Aliar-se-á o PSD ao PP na autarquia limiana? Candidatar-se-ão dois candidatos de um partido que nunca venceu as autárquicas? Voltaremos a ter candidaturas independentes à Câmara Municipal? Acabará o PSD por aproveitar a disponibilidade do atual vereador para dar continuidade ao seu projeto “pelas pessoas e pelo território”? Até onde irá este braço de ferro?
Eu não consigo compreender!
Estou deveras desiludido com tudo isto, com as pessoas, com a ausência de valores, com a falta de coragem e com a cobardia de muitos.
Da minha parte, quero manifestar o meu único compromisso com o PSD, a quem aderi de livre vontade, e com quem me elegeu. Nada mais.
Considero-me um homem livre e de fortes convicções.
Esta retirada da confiança política, lamento muito, é uma atitude premeditada, tenho que concluir.

Intervenção no plenário do PSD, em Ponte de Lima, no dia 9 de dezembro de 2011



In jornal Cardeal Saraiva, 16 de dezembro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Direito à indignação

Num tempo em que os portugueses compreendem o pedido de sacrifícios e estão disponíveis para contribuir, é fundamental que o Governo explique, claramente, quais as razões que levaram a tomar as medidas duríssimas que está a implementar e que, também de forma equitativa e proporcional, distribua os sacrifícios por todos os portugueses.

Sabendo que os portugueses estão recetivos para mudar Portugal, como se compreende: i) que não terminem de imediato com as mordomias vigentes? ii) que não se identifique ao mais ínfimo pormenor o porquê de tudo isto, nomeando os verdadeiros responsáveis? iii) que não se comuniquem de uma forma clara medidas que abranjam todos os portugueses? Iv) que se tire dinheiro aos contribuintes cumpridores, em vez de começar por tirar ao próprio estado?
Já todos percebemos que nada poderá ser como dantes e que não podemos viver acima das nossas possibilidades, mas porque é que se viram sempre para o mesmo lado? Respondem-nos que é mais eficaz, mais imediato, mais direto. E volta a perguntar-se: mas será a forma mais justa? Serão uns filhos e outros enteados? Porventura, os funcionários públicos - (polícias, professores, médicos, entre outros funcionários na área da educação, da saúde, da justiça, da administração pública...) serão os parasitas (aqueles que vivem à custa dos outros) da sociedade? Serão estes funcionários os verdadeiros culpados do verdadeiro estado de sítio a que chegou Portugal?

Contudo, há ainda outras razões para as pessoas estarem indignadas:
1. porque não chamam os responsáveis para serem julgados?
2. porque não anunciam, simultanemamente, medidas (também eficazes, imediatas, diretas) como:
2.1.) reduzir dois deputados por círculo eleitoral na Assembleia da República, bem como do número de assessores na Assembleia da República por deputado;
2.2.) acabar de imediato com as várias reformas por pessoa, do pessoal do Estado, permitindo apenas que cada cidadão receba uma só reforma e que o valor máximo seja de 3.000 euros;
2.3.) acabar com os ordenados acima dos do PR ou PM para os gestores de empresas públicas;
2.4.) eliminar os cartões de crédito ilimitado para servidores do estado;
3.) porque não nomeiam as fundações e institutos públicos a extinguir.

Se é certo que todos concordam que é melhor descer salários do que despedir, também todos sabem que há contas a fazer relativas aos gastos desnecessários do estado.

A verdadeira questão não está na essência da medida – retirar os subsídios de Natal e de férias -, está no desequilíbrio face aos restantes portugueses. Está a criar-se um estigma face aos funcionários públicos verdadeiramente desrespeitador.

Concordo plenamente com Pedro Passo Coelho quando diz que "As medidas são minhas, mas o défice que as obriga não é meu", contudo nós merecemos um esclarecimento pleno da situação. Revele-se de uma vez por todas o buraço do BPN, da Madeira, das parcerias público-privadas e da má gestão socialista dos últimos anos.

Não se consegue reformar Portugal contra as pessoas!
Preocupa-me a fraqueza da palavra dada.


In jornal Cardeal Saraiva, 21 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ponte de Lima com 15 freguesias

Consciente que este processo terá que avançar e que não há outro caminho, pois Urge Mudar e esta reforma é necessária, apresento uma proposta para o concelho de Ponte de Lima, que passará das atuais 51 para 15 freguesias.
Esta proposta foi feita após uma análise do mapa territorial do concelho de Ponte de Lima, tendo em conta a proximidade das freguesias, as suas afinidades e as principais vias de comunicação. Para garantir um equilíbrio em termos demográficos, estabeleci como valor mínimo, para cada agrupamento de freguesias, o número de 2300 habitantes.
Decidi avançar com esta proposta, neste momento, para dar início à discussão.
Após uma análise detalhada do “Documento Verde da Reforma da Administração Local”, recentemente divulgado, creio ser pertinente referir que os critérios apresentados remetem para a tipologia (APU, freguesias urbanas; APR, freguesias rurais e AMU, freguesias mistas) e para a distância da sede do município, contudo estes critérios provocam sérios desequilíbrios quanto ao número de habitantes por agrupamento de freguesias e forçam ligações perigosas, consideradas contra natura. Tendo em conta os critérios mencionados, o número total apontará para 10 ou 11 freguesias.
Para o concelho, atendendo à densidade populacional local, às afinidades culturais e históricas, bem como ao seu enquadramento geográfico, o ideal seria a constituição de 15 agrupamentos de freguesias.




O futuro começa aqui!

1 - 2539 habitantes*- Navió, Poiares, Vitorino dos Piães
2 - 2520 hab. - Ardegão, Freixo, Sandiães, Vilar das Almas, Gaifar
3 - 3304 hab. - Facha, Vitorino das Donas, Seara
4 - 2407 hab. - Cabaços, Friastelas, Fojo Lobal, Mato, Calvelo
5 - 3555 hab. - Feitosa, Rebordões (Souto), Rebordões (Santa Maria)
6 - 3012 hab. - Anais, Queijada, Fornelos
7 - 3181 hab. - Gandra, Santa Cruz do Lima, Beiral do Lima, Gondufe, Serdedelo, Boalhosa
8 - 2501 hab. - Ribeira, Gemieira
9 - 3810 hab. - Ponte de Lima Arca
10 - 2950 hab. - Correlhã
11 - 2373 hab. - Bertiandos, Santa Comba, Sá, Moreira do Lima
12 - 2349 hab. - Arcos, Fontão, Estorãos, Cabração
13 - 3717 hab. - Arcozelo
14 - 2641 hab. - Refóios do Lima, Brandara
15 - 2762 hab. - Calheiros, Cepões, Bárrio, Vilar do Monte, Labruja, Labrujó, Rendufe




Nota: o número de habitantes foi retirado do “Documento Verde da Reforma da Administração Local”.


Jornal Alto Minho, outubro de 2011


Tendo por base os critérios de base apresentados no "Documento Verde" para a organização territorial, uma possível organização poderá ser:
1- 3496 hab. - AMU - Navió, Poiares, Vitorino dos Piães, Cabaços, Fojo Lobal
2- 3281 hab. - APR/AMU - Ardegão, Freixo, Sandiães, Vilar das Almas, Gaifar, Mato, Friastelas
3- 2594 hab. - APR/AMU - Facha, Vitorino das Donas
4- 5879 hab. - AMU - Anais, Calvelo, Queijada, Rebordões (Souto), Rebordões (Santa Maria), Fornelos
5- 3782 hab. - APR/AMU - Serdedelo, Boalhosa, Gondufe, Beiral do Lima, Gemieira, Gandra, Santa Cruz do Lima
6- 5710 hab.(*) - APU - Ponte de Lima, Arca, Ribeira
7- 5037 hab.(*) - APU/AMU - Correlhã, Feitosa, Seara
8- 2116 hab. - APU/APR - Fontão, Arcos, Estorãos, Cabração, Moreira do Lima
9- 5215 hab.(*) - APU/AMU - Arcozelo, Santa Comba, Sá, Bertiandos
10- 4169 hab. - AMU - Refoios do Lima, Brandara, Calheiros, Cepões
11- 1207 hab. - APR/AMU - Bárrio, Vilar do Monte, Labrujó, Rendufe, Labruja


(*) De acordo com os critérios, num raio de 3 Km da sede do município o mínimo de habitantes por freguesia terá de ser 15.000, pelo que as freguesias de 6 e 9, bem como algumas apresentadas em 7 poderão ter que agrupar-se. Com estes critérios, o número de freguesias não deverá ultrapassar as 10 freguesias.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A escola paralela

Um cidadão, nos dias de hoje, tem mais informações – sobre o universo, a tecnologia, as culturas de outros povos, as línguas, a literatura, a música, o desporto – através de experiências extra-escolares, tendo como comparação as aprendizagens formais. Neste contexto, importa considerar a relação com a chamada “escola paralela”, entre a educação formal e a educação informal.
Há estudos que provam que o contacto com a educação informal é superior, em termos de tempo, por parte dos alunos, ao da formal. Se por um lado a estimulação cultural externa é cada vez mais ampla, atrativa, penetrante e eficaz, constata-se, por outro, que a escola continua dissociada da aprendizagem extra-escolar dos alunos.
Admitindo a escola como um local de distribuição social de conhecimento, que permite aos cidadãos o acesso ao saber, pressupõe-se que seja previamente organizada e constantemente atualizada, pois estamos perante uma sociedade que impõe uma aprendizagem ativa, dinâmica e aberta ao meio, não se compadecendo com uma escola parada no tempo. Deste modo, é mais fácil compreender que hoje se exijam novas posturas e novas responsabilidades a todos os que intervêm (professores, funcionários, encarregados de educação e outros) e contribuem para uma melhoria do ensino.
Em termos das relações interpessoais, importa ter presente que os jovens mostram mais empatia por pessoas que lhe são semelhantes e da mesma faixa etária, do que por aquelas que não o são. Em termos cognitivos, os mecanismos utilizados pelos alunos para entender uma mensagem dos media não são os mesmos que utilizam face às mensagens do estudo, sendo de salientar que o carácter sedutor que a mensagem informal tem, dificilmente poderá ser acompanhado pela escola.
As características, quer dos meios, quer das mensagens, são diferentes nos meios informais e formais, exigindo aos alunos diferentes posturas, dado que a mensagem dos media leva os alunos a uma atitude de maior passividade, enquanto o ensino exige dinamismo, trabalho, seletividade.
Atendendo à educação informal, há ainda a ter em conta que a sociedade da informação (influência dos media, da nova tecnologia), por si só, não garante que os cidadãos fiquem a saber, nem tem uma avaliação crítica face aos seus conteúdos, isto é, o espírito crítico. Este tem que ser trabalhado apenas pela escola, pois não existe na educação informal.
Assim, o currículo escolar tem toda a vantagem em integrar as potencialidades dos meios de difusão extra-curriculares, aliando-se a outros co-educadores, de modo a estabelecer a continuidade e a integração das solicitações educativas.
Ninguém tem dúvidas em concordar que a actual sociedade assenta num conjunto de valores que desencorajam o estudo e promovem o insucesso escolar. Diversão, Individualismo e Consumismo, três valores essenciais na sociedade atual, são em tudo opostos ao que a escola significa: atitudes refletida, procura incessante do saber e de valores.
Em suma, pretende-se uma escola que desenvolva uma cultura de participação, que saiba partilhar a educação com a família (principal entidade, responsável pela educação), com o pessoal não docente e com a comunidade envolvente, a fim de todos poderem contribuir para o desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos, tornando-os cidadãos mais responsáveis e livres na sociedade, sendo imprescindível que cada um se sinta parte integrante da escola.


In Cardeal Saraiva, 7 de Outubro de 2011

domingo, 4 de setembro de 2011

Quem determina o currículo?

Eis a grande questão: Quem determina o currículo? Quem dá o sentido das orientações?
Um currículo pressupõe escolhas, logo há que saber: Quem escolhe? O que escolhe? Para quando? A quem se destina? Quais os critérios? O que tem em consideração? Quais as competências? Como avaliar?
Quem tem o poder de decidir, ou seja, de definir a política educativa, é o poder político, no entanto, além deste tipo de poder existem outros que influenciam o currículo, nomeadamente, os professores, os pais e os parceiros económicos. Os professores falam a muitas vozes, dados os inúmeros sindicatos, e são, por isso, prejudicados na sua influência; os pais, bem como a Confederação Nacional das Associações de Pais, reclamam do serviço e reclamam o serviço; os parceiros económicos fazem pressões no sentido de exigir que os formandos sejam bem preparados para o mundo do trabalho. Para além destes, podemos ainda considerar como influentes no currículo, os académicos e as editoras. Enfim, uma enorme variedade de influentes!
Conforme os estilos e as suas convicções, os políticos são mais ou menos sensíveis a todas estas influências. Neste contexto, facilmente podemos depreender que a elaboração do currículo pressupõe uma negociação, de forma a conseguir-se um equilíbrio entre os mais diversos pontos de vista e a poder garantir-se os direitos humanos em termos de aprendizagens e da formação dos cidadãos.
O Exército e a Igreja, numa primeira fase, os sindicatos e os partidos, depois, propuseram visões globais da vida e conseguiram regulamentar a sociedade, no entanto, hoje tudo isto está a perder força e surgem vários grupos sociais (organizações não governamentais e voluntariado) que trabalham por um interesse mais ou menos específico ou particular: movimentos culturais, artísticos, eclesiásticos, ecologistas, populares, sociais e de intervenção cívica, entre outros, contudo não têm capacidade de propor uma visão global, nem tão pouco conseguem criar regras.
Atualmente, em Portugal, há uma centralização do poder sobre o currículo e com a globalização a tendência será uniformizar a sociedade e, como consequência, perder a individualidade. Embora tenhamos consciência de que o motor da globalização é a economia, não nos podemos esquecer que estamos também perante um fenómeno cultural. Com efeito, a relação entre culturas faz-se dentro da mente de cada um e permanentemente se reformula, pelo que com a globalização cultural terão que existir adaptações, pois as pessoas lidam diariamente por todos os lugares por onde a vida passa. Ainda neste contexto, há que saber preservar e valorizar a identidade.

Facilmente se depreende que a tarefa não é fácil, contudo o processo de decisão da escola, em termos de currículo, deve ser encadeado para permitir equilibrar entre dois pares de contrários, ou seja, entre a unidade e a diversidade e entre a coordenação e a autonomia profissional do professor.

Deste modo, deve existir uma articulação eficaz entre os órgãos de gestão, os órgãos intermédios, os conselhos de turma e os professores, tendo em conta o triângulo didático currículo, professor, aluno, sem esquecer a essência de cada um.